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16.2.14

#146- Terei (ou tenho?)

Estou cansada. E um bocado farta de tudo. Fartei-me de discussões e berros, de lutas verbais e gritos contigo. Sim, é verdade que terei saudades de ti. Vou sempre esperar por uma mensagem de boa-noite, por uma troca de olhares ou por um sorriso teu. Terei saudades dos beijos instantâneos que me davas e dos que que já estavam no destino, do toque suave e doce que os teus lábios me proporcionavam, do roçar dos lábios e de um sorriso. Terei saudades dos teus abraços e das tuas palavras que me sussurravas aos ouvidos. Vou esperar sempre por um amo-te e por um fazes-me bem sabendo que nunca mais os ouvirei. Vou esperar deitada na cama do meu quarto, todas as noites, debaixo dos lençóis enquanto choro, que me acordes e que digas que foi tudo um mau sonho. Irei ter saudades de passear contigo por os corredores da escola de mão dada. Vou sentir saudades de ti, mesmo não sendo tu o meu ideal de beleza ou o rapaz que mais me fez feliz. Mas cada vez que te via....E vejo! Sinto-me com borboletas na barriga e fico sem fome, maldisposta. Fico nervosa e o meu coração bate a mil por segundo. E sabes o mais engraçado? É que não consigo enunciar uma razão para me sentir assim por ti. Não encontro em ti nenhuma razão nem defeito. Não és com quem eu sempre sonhei, nem o rapaz dos meus sonhos. Há mais bonitos. Mas saíste-me tu na rifa e não vejo porque não.

Vou ter saudades do teu corpo, das tuas mãos nas minhas e da maneira como me fazias sorrir sem motivo.
Terei (tenho) saudades tuas

22.12.13

#100 - Desiludiu-me. Muito.

#3

Choro. Não tenho bem a certeza porquê ou do quê. Mas choro. E é o silêncio dele que imortaliza a noite. Sinto-me vazia. Sem nada. Não quero olhar para trás, vê-lo sentado à beira da estrada num dia de chuva, com o gorro encharcado e a cara molhada. Desiludiu-me. E agora, como se anos tivessem passado, choramos os dois. Eu preciso dele, aqui, comigo. E ele precisa de mim. Sinto a falta dele. Mas vou-me manter, de posição firme, jamais irei olhar para trás. Deprimida. A minha vida anda uma desgraça. Isto é a falta que ela me faz. Como posso eu pensar assim sobre alma diabólica? A culpa é dela e só dela. Jamais! Jamais a irei perdoar. Guardo esta melancolia para mim e finjo que está tudo bem. Como posso eu perdoar quem me magoou, mais do que uma perna partida? Quero ir-me embora. Fugir daqui. Ir para bem longe. Recentemente descobri que ele está um caco. Partido aos  bocados espalhados pela auto-estrada. E a culpa não é minha. Eu não lhe fiz mal nenhum. Odeio-o. Odeio o meu nome por ser o nome da ex-namorada dele. Odeio-a. Odeio-me. Quero desaparecer, ser invisível e mesmo assim evaporar-me. Mas ele mantém-me aqui. Segura. De baixo das mantas, a ver um filme,fico. E fico. E espero. E aguardo. E quando ele chegar, fecho a porta a chave e aumento o barulho da televisão. Tiro-lhe a roupa, como se de um boneco se tratasse. Espero. Vai levar anos, mas espero. Porque tenho de descrever direito por linhas tortas e só, apenas só quando estas se endireitarem, a minha vida vai fazer sentido.Porque estou partida aos bocados espalhados pela rua e espero que ele me conserte. 

26.11.13

#84 - Incomoda-me

Cá estou eu, com mais um dos meus dilemas. Mas isto incomoda-me mesmo. Dói-me. Ajuda?

#2
É uma sensação de desconforto. Não gosto disto assim. Vê-lo sozinho, à espera dela. Incomoda-me tanto. Gostava de nunca o ter conhecido. Pergunto-me como seria se as coisas tivessem sido assim. Eu. Ele. E não houvesse um eu e ele. Não o consigo abandonar. Desde aquele dia na praia, que vi as marcas no braço dele. E "Oh!" dor a minha! Como eu me identifico. Nunca gostei dela. Cínica, egoísta. Olho para ele todos os dias no corredor. Sinto que sou uma desgraça. Um passado pesado na consciência dele. "Anda. Vêm comigo." Levo-o para uma das casas de banho. Encosto-o à porta da casa de banho. "Possuí-me." Digo. Desejo. Sonho. Quero. Mas não posso. Tive o meu tempo de o possuir. Agora, apenas o observo. De longe. Olho-o nos olhos e peço-lhe que venha. Mas não posso. Mais uma vez, vejo o diabo no meu ombro. Feliz, digo. Dança e canta, pica-me com aqueles três bicos. "Ugh!" Esta dor não me passa. Queixo-me na esperança que desapareça. Desiludi-me. Desaponto-me a mim mesma, vezes sem conta. Como eu desejo que esta dor se vá embora, que vá dançar com o diabo no ombro de outro. Os olhares perseguem-me. Julgam-me, definem-me. Metem-me tanto medo. O meu coração pára. Tem medo. Eu amo-o do fundo do coração. Mas pena a minha! Eu quero o outro. Quero possui-lo numa das casas-de-banho das senhoras. Quero que ele me possua. Quero-o de novo. Mas não posso. Ele já tem problemas que alimentam porcos. Não quero passar de um passado pesado, duro, desconfortável. Custa-me engolir a saliva assim. Ele sofre. E não, não serei eu que o ei-de fazer sofrer mais, passar por águas passadas enterradas! "Possui-me" repito. E um silêncio acomoda-se-me no peito. Olha-me nos olhos. "Não posso!". A minha visão fica turva. Um rio quente escorre. Viro costas. E não vou olhar mais para trás.

21.11.13

#78 - Sei que, mas preciso tanto

É uma necessidade básica. Simples. Este blogue é, certamente, o único local onde consigo ser eu a 100. Posso dizer tudo o que me vai na alma, tudo o que quiser sem jamais ofender alguém. Não que o que crie agora se torne algo que farei sempre, mas quando precisar.

#1
Levantei-me mais tarde. Soube-me bem aqueles extra quinze que fiquei na ronha. Foi por isso que acordei bem disposta. Ou então porque fiquei feliz ao saber que a Hannah, (Silver Bay: a baía do desejo) ia arranjar o dinheiro. Levantei-me e vesti-me. A rotina era sempre a mesma. Acordar sozinha, sair sozinha, sozinha chegar.  Monótona. Já me enjoei, mas não posso alterá-la. Chegar tarde às aulas não faz parte dos meus planos. Recebi uma caneta, vermelha. Ia adormecendo na primeira aula, mas contive-me, mantive-me acordada até ao toque. Infernal, aquele barulho. A Monroe era morena, sabiam? E está na porta do meu roupeiro. Não me animei, nem quando estive com ele. Até aí foi tudo demasiado monótono. E assim continuou. O outro pôs-me em pânico. É giro, sabiam? Como uma mão nos muda o dia. Não me mostrei triste, cansada, saturada. Recebi um livro. E uma caneta, laranja. Bonita. Saí da sala a correr, quase. Ela saiu à minha frente. Não os queria ver aos beijos, a devorarem-se como canibais. É-me suficiente saber que estão juntos, não quero mais. Passei por ele e mal o vi. Pôs-me um papel na boca. "Amo-te". Nem isso me animou. Não o beijei. Amanhã quero ir a correr ter com ele. Quero um beijo, sentir os lábios dele roçarem nos meus. "Geologia". Prefiro biologia. Mas gosto, não detesto, não amo. Ainda não sei a matéria. Não me consigo concentrar. Estou triste. Parece tudo perfeito. Sinto o inferno, o Diabo a dançar-me no ombro, a picar-me com aquele pau de três bicos. Infernal. Estou bem de corpo. Mas dói-me a alma. E tudo o que sinto não passam de palavras, essas, animais inúteis que não sabem exprimir o que sinto. Tento, mas não conseguem. Inúteis! Alguém sobe as escadas, fecho rápido o separador e concentro-me no estudo. Não quero que saibam quem sou. Se soubesse que soubessem quem sou, sabia que deixaria de ser quem sou com medo. Abro o separador. Digo as minhas últimas palavras. Não para-sempre. D'hoje."